Olho de mira
Existe destro de mão e canhoto de olho?
Sim. E vice-versa também.
Mas para a resposta fazer sentido temos que explicar duas coisas:
o referencial de destro e canhoto no tiro com arco;
e o que é Olho Diretor.
Sempre que vamos falar de destro e canhoto com relação ao arco e flecha o referencial é a mão que puxa a corda, não a que segura o arco. Ou seja, por mais que pareça estranho, um arco de destro é segurado com a mão esquerda e um de canhoto é segurado com a mão direita.
Já a respeito do olho diretor: Como nossa espécie tem como característica dois olhos na frente da face, um deles gera uma imagem “de frente” enquanto o outro gera uma imagem “em diagonal” daquilo que observamos. Quando o cérebro faz a comparação dessas duas imagens temos nossa percepção de tridimensionalidade/profundidade à partir da diferença de ângulo entre elas. Alguns sistemas de cinema utilizam dessa lógica para produção de filmes em 3D. O olho diretor, ou olho de mira, é o que “vê em linha reta”.
Importante lembrar que isso não tem a ver com a qualidade de visão de determinado olho, mas sim à forma como o cérebro processa a imagem.
Quando puxamos a corda do arco seguindo o olho de mira a ponta da flecha é alinhada com o alvo e o restante da flecha também fica alinhado com a linha do foco de visão (linha laranja e flecha em verde), resultando em apontar diretamente para o alvo.
Quando puxamos o arco do lado trocado, o referencial de mira continua acompanhando linha de foco da visão, em laranja. No entanto, isso desloca o ângulo real da flecha, fazendo com que ela aponte para fora do alvo (linha tracejada em vermelho) ainda que o arqueiro a veja a ponta alinhada com o alvo.
Muitas pessoas tem uma primeira experiencia ruim no arco justamente por estar atirando do lado trocado. A instrução convencional é mirar com a ponta da flecha no alvo, e isso funciona quando você puxa a corda acompanhando o olho de mira. Já quando o lado está trocado, isso é justamente o que faz o ângulo da flecha apontar para fora do alvo. É necessário então compensar a mira, vendo a flecha fora do alvo.
Aqui na SETA Arqueria trabalhamos seguindo o olho diretor, a menos que a pessoa tenha alguma lesão ou condição de saúde que impeça/dificulte a movimentação adequada de determinado lado ou alguma questão que possa ser prejudicada/agravada pelo tipo de esforço que aquele lado precisará fazer. Nesses casos, são possíveis adaptações de técnica para garantir uma prática segura e maior conforto e controle de mira.