Como o arco se organiza no Brasil
Para quem chega no esporte, em especial quem chega querendo competir, é comum ficar perdido em meio à quantidade de informação. Vamos tentar organizar o negócio para facilitar o entendimento de vocês, começando por uma ressalva: nossa explicação NÃO se aplica as praticas de arco orientais, meditativas nem aos arcos dos povos originários.
Quando falamos do arco como esporte, temos duas esferas de organização no país: A profissional, com a Confederação Brasileira de Tiro com Arco (Brasil Arco), que cuida da representatividade olímpica do país; e a Associação Field Brasil (AFB), uma associação amadora do esporte. Cada uma delas tem regras próprias, tanto de filiação quanto de formatos de provas e estilos de arco reconhecidos.
A Confederação Brasileira de Tiro com Arco, conhecida atualmente como Brasil Arco, cuida da parte olímpica do esporte. Normalmente nos referimos à ela como associação profissional, por possuir os poucos arqueiros do país que recebem ($) para ser atletas. Reconhece três estilos de arco para competição e no Brasil tem efetivamente falando dois formatos de prova: Indoor (prova de 18m) e Outdoor (70m, 60m ou 50m). Eventualmente são realizados torneios de outros formatos, mas não é muito comum.
A instituição internacional que ela representa é a Wolrd Archery (WA).
A Associação Field Brasil (AFB) cuida do esporte amador, ou seja, o ramo do esporte onde os arqueiros não recebem salário para ser atleta. Reconhece 11 estilos de arco e possui 3 circuitos de competição: Circuito Indoor, que possui duas provas, circuito Field com 3 provas e circuito bowhunter com outras 3 provas, totalizando 8 formatos diferentes de competição oficiais.
A instituição internacional que ela representa é a International Field Archery Association (IFAA).
Outra diferença importante é que a AFB não possui apoio financeiro governamental. O ministério do esporte reconhece exclusivamente a Brasil Arco como representante da modalidade, já que é ela que cuida da seleção brasileira e de eventos que exijam representatividade nacional, por exemplo, as olimpíadas.
A IFAA também possui campeonatos mundiais, mas essa são provas abertas, ou seja, qualquer um pode se inscrever e ir por conta própria sem precisar fazer parte da seleção de seu país. Nas provas, cada arqueiro representa a si mesmo, não o seu país de origem.
Quem quiser dar uma olhada nos rankings, onde praticar em outros estados e outras coisas do esporte, pode buscar nos sites das duas entidades nacionais:
https://fieldbrasil.org.br/
http://www.cbtarco.org.br/index.php
Sendo o arqueiro individual a menor unidade dessa história, o nível seguinte é um grupo organizado de arqueiros. Esse grupo pode ser chamado de polo, clube ou escola a depender do papel que exercerce.
O grupo filiado à AFB é chamado de “polo”, já o grupo filiado à Brasil Arco, através de sua federação estadual, é chamado de clube. Em matéria de funcionamento e organização esses dois são essencialmente a mesma coisa: um grupo de pessoas que quer praticar juntos e participar de competições validando seus resultados.
Pelo âmbito profissional, a estrutura do esporte é bem semelhante a do Brasil, ou seja: Cidade - Estado - País. As cidades seriam os clubes; Esses clubes podem se filiar às entidades estaduais, as Federações, que são o equivalente aos estados; as federações estaduais por sua vez se filiam à Confederação Brasileira, equivalente ao país.
Cada uma dessas entidades administra o circuito de competições em seu nível. Os clubes podem ter seus rankings internos. Federações podem ter seus rankings e campeonatos estaduais, mas sua principal função é gerenciar as provas realizadas no estado, garantir o cumprimento das regras do esporte e enviar os resultados obtidos nas provas regionais para o ranking nacional.
Já a confederação brasileira cuida dos rankings nacionais e campeonatos brasileiros, formação de juízes, instrutores e técnicos do esporte, formação da seleção brasileira e representação do país no nível internacional. Ela também gerencia projetos de desenvolvimento esportivo em parceria com o poder público.
O atleta não precisa obrigatoriamente se inscrever em todos os três níveis, mas se quiser validar seus resultados em um nível dessa hierarquia, tem que estar inscrito nos níveis anteriores: Ou seja para competir a nível nacional, tem que estar inscrito na associação nacional, na estadual/distrital e no clube.
Já pela AFB o sistema é de filiação direta do polo com a associação nacional, não tendo o intermediário estadual. No DF temos dois polos ativos da AFB, a SETA (nós) e a Field Brasilia, ou FIBRA. Devido ao nome é comum os arqueiros novatos acreditarem que a FIBRA represente o DF, mas não é o caso.
Qualquer arqueiro do país pode se inscrever em qualquer polo sem restrição geográfica e os polos fazem a inscrição do atleta na AFB. Cada polo organiza seus rankings internos e também os campeonatos que compõe o ranking nacional. A AFB organiza os campeonatos nacionais, que são bienais, também gerencia a capacitação para montagem de campeonatos e a formação de instrutores IFAA
É um sistema menos burocrático de associação, sendo um bom caminho para quem quer começar o próprio grupo de arqueiros e não está pronto para as demandas de funcionamento/administração de um clube, apesar de ser financeiramente mais difícil já que não recebe apoio governamental. Por outro lado, a falta de apoio financeiro incentiva (forçadamente) a autonomia de funcionamento.
Nós da SETA Arqueria somos um polo da Field Brasil. Organizamos provas do circuito Indoor válidas para o ranking brasileiro e nossos alunos podem se filiar à AFB para competir a nível nacional. Não participamos do ramo olímpico do esporte, mas fornecemos as orientações necessárias para nossos arqueiros que pretendem ir por esse caminho.